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| Mister Max |
Os brasileiros andavam muito preocupados porque as empresas só falavam em reduzir, encolher, diminuir, cortar. Até que o termo downsizing entrou na moda e tudo mudou: nunca mais as empresas mencionaram o palavrão "corte". É bem verdade que em inglês to size down, expressão verbal que deu origem a downsizing, significa reduzir, encolher, diminuir, cortar. Mas, convenhamos, dá mais status ao corte e assusta menos. Em maio do ano passado, foi inaugurado um grande empreendimento em São Paulo. Na agenda do evento, havia uma cópia do programa do Jô Soares, batizado de "Jô Onze e Meia da Manhã". Como de praxe, o Jô (que estava lá de verdade) soltava perguntas inteligentes e os entrevistados tentavam parecer tão inteligentes quanto. A platéia era toda composta por empresários e executivos, gente acostumada a uma linguagem própria, a dos jargões corporativos. Eu fui um dos entrevistados. Lá pelas tantas o Jô me pediu para explicar melhor o que era downsizing, palavra que ele ouvia a torto e a direito quando conversava com executivos. Como o evento havia começado com mais de uma hora de atraso e a platéia já mostrava evidentes sinais de preocupação - ouvia-se o ronco, entre outras coisas, dos estômagos -, achei que seria prudente evitar uma longa dissertação sobre o tema. Tentei então aliar a teoria específica às aplicações táticas, estratégicas e multifuncionais. Combinamos um exercício, uma espécie de downsizing musical. O Jô pediu para o seu Quinteto Onze e Meia tocar uma música. Meio minuto depois, pediu para o contrabaixista parar. Ele parou, e a platéia começou a rir, porque o som do conjunto continuava exatamente igual. Aí parou o guitarrista. Depois o saxofonista. E finalmente o baterista. Ficou só o tecladista, fazendo incríveis estrepolias e tentando manter sozinho o nível do espetáculo. A música não era mais a mesma, mas continuava perfeitamente audível e própria para o consumo dos tímpanos presentes. As conclusões altamente educativas dessas piruetas melódicas,
considerando-se que o Quinteto poderia ser percebido como um microcosmos empresarial,
foram as seguintes: Num downsizing,
o primeiro corte não afeta o desempenho global. Outra conclusão interessante - esta, pós-evento - é que na Globo o Jô deve ter uma verba bem mais gorda do que a que tinha no SBT. Aí poderia cair na tentação de criar uma Orquestra Sinfônica Onze e Meia, incluindo oboés, fagotes e outros instrumentos que só as megaempresas podem se dar ao luxo de ter. Só que, um ano depois, a Superintendente da Globo iria chamar o Jô para um papo meio sério: - Jô, precisamos conversar. O orçamento do teu programa anda
estourando. O retorno está bem menor do que a direção previa. Max Gehringer é consultor, autor e palestrante |