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| O trabalho no
futuro - Artigo - Agosto/2000 |
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Por Tom Morris Por milhares de anos, os filósofos procuraram compreender a natureza humana. Estiveram em busca da sabedoria sobre a melhor maneira de viver. Os mais brilhantes fizeram profundas descobertas, que resistiram ao teste do tempo, sobre a excelência e sobre o sucesso. Mais do que nunca, em toda a História humana, precisamos de sabedoria sólida. O ritmo das mudanças em nosso mundo é o mais rápido já alcançado. E o futuro nos acena com uma aceleração ainda maior em termos de inovação tecnológica, globalização e reconfiguração do modo como trabalhamos e competimos em todas as atividades. Somente tomando como base as mais profundas e imutáveis verdades acerca da natureza humana, estaremos aptos a lidar com todas as coisas mutáveis à nossa volta. Estou convencido de que muitos aspectos da antiga sabedoria podem nos preparar, de maneira única, para tirar o máximo proveito das oportunidades de negócios com que o futuro nos brindará. Vamos a eles:
AUTOCONHECIMENTO E SUCESSO Trata-se de uma série de intuições iluminadoras. A coisa mais fácil do mundo é dar conselhos às outras pessoas. É por isso que o mundo está tão repleto de gurus e comentaristas que aconselham sem sair de suas poltronas. Conselho é uma das mercadorias mais disponíveis do mundo. Mas bons conselhos, ironicamente, são difíceis de encontrar. Os que se aproximavam de Tales para levar suas questões sobre a vida faziam bem em procurar um verdadeiro especialista em natureza humana. E o filósofo não os desapontava. Tales estava certo em cada uma dessas respostas. Todos os pensadores antigos recomendavam insistentemente a seus ouvintes a necessidade de se autoconhecer. Mas o autoconhecimento pode ser a coisa mais difícil de atingir e de ser renovado. E, no entanto, pode-se afirmar que é o fundamento mais importante para o que dá mais satisfação, que é o verdadeiro e duradouro sucesso. É por esse motivo que o sucesso representa tamanho desafio, nos negócios e na vida. Sem autoconhecimento, pessoas talentosas e habilidosas estão desprovidas, em tudo o que fazem, de um dos alicerces mais básicos do sucesso duradouro. Todo trabalhador no século 21, seja nas linhas de produção, seja nos escritórios, precisará ver a si mesmo como um empresário independente, um vendedor especializado de serviços com uma marca muito especial, conhecida de todos. Só isso nos ajudará a atrair recursos, respeito e oportunidades que manterão o trabalho interessante, a empresa poderosa e as carreiras florescentes. Mas isso requer uma grande dose de autoconhecimento. É pela sua importância nas atividades mais criativas que antigos filósofos, como Tales, queriam que compreendêssemos quão difícil é alcançar o autoconhecimento. No futuro, com todas as suas possibilidades criativas e empresariais, o ramo dos negócios exigirá mais do que nunca essa rara mercadoria. Assim, faço coro aos antigos pensadores, recomendando: "Conhece-te a ti mesmo".
AS CONDIÇÕES UNIVERSAIS
DO SUCESSO NOS NEGOCIOS Em meu livro True Success: A New Philosophy of Excellence (publicado no Brasil como O Verdadeiro Sucesso, Cultrix), apresentei sete condições universais de sucesso de acordo como eram entendidas pelos maiores filósofos de todas as culturas, desde os tempos mais remotos. Em cada desafio é preciso estruturar nossas ações e atitudes em torno delas.
AS SETE CONDIÇÕES
UNIVERSAIS DE SUCESSO
1 - Uma CLARA CONCEPÇÃO do que queremos. Podemos encontrar uma compreensão e apreciação desses sete pontos nos escritos de figuras tão diversas quanto os antigos pensadores chineses Confúcio e Lao-Tsé, os estóicos romanos Sêneca e Marco Aurélio e o jesuíta do século 17 Baltasar Gracián, ou em pensadores modernos como Ralph Waldo Emerson. O sucesso em qualquer empreendimento é bastante facilitado quando essas sete condições são seguidas. Por mais importantes que tenham sido no passado, estou convencido de que serão ainda mais vitais para o sucesso nos negócios no futuro.
MANTENDO O SUCESSO Muitos dos antigos filósofos compreenderam que há quatro dimensões da experiência humana que estruturam tudo o que sentimos e fazemos. Se pudermos apreender a importância desses quatro fundamentos, podemos acumular mais energia para nossos fins empresariais.
OS QUATRO FUNDAMENTOS
DA EXCELENCIA SUSTENTADA: Expus a importância dessas coisas em um livro intitulado If Aristotle Ran Out General Motors: The New Soul of Business (Se Aristóteles dirigisse a General Motors: o novo espírito dos negócios) e utilizei essas idéias para ajudar os líderes de algumas das maiores companhias do mundo a compreender o que será necessário para liderar no futuro. As pessoas precisam de uma certa dose de verdade, beleza, bondade e unidade em sua experiência diária de trabalho. Se respeitarmos e alimentarmos esses quatro preceitos em todas as nossas relações com as pessoas, criaremos em nossas organizações um espírito de corporação mais forte e novas formas de lealdade - que não dependem unicamente de condições imprevisíveis de mercado -, tanto no interior de nossas companhias quanto com os vendedores e clientes. Ao seguir esses princípios, alcançamos as raízes profundas da motivação humana e fornecemos as condições para manter o sucesso em tudo o que fazemos. O futuro dos negócios exigirá que compreendamos essas intuições, que são as mais antigas, e as apliquemos em tudo o que fizermos.
LIDERANÇA EM
TEMPOS DE MUDANÇA Segundo o relato, Beowulf se tornou o mais completo guerreiro de sua época, vencendo repetidamente os inimigos mais duros. Sua reputação se estabeleceu por séculos quando, ainda jovem, lutou com dois monstruosos inimigos e venceu-os sozinho. Como resultado de sua força, bondade, honestidade e grande renome tornou-se rei, e governou seu povo com justiça por 50 anos. Seu reino foi então, repentinamente, ameaçado pelo mais feroz adversário que ele jamais enfrentou, um horrível dragão que cuspia fogo. Diante do maior desafio de sua carreira, Beowulf reuniu uma dúzia de homens para o acompanhar ao covil do dragão, mas os levou como testemunhas, não como companheiros de armas. Seu orgulho e seus hábitos, há muito arraigados, determinaram que ele tentasse lutar sozinho com seu adversário. A violência da luta foi tão grande que os espectadores fugiram para salvar suas próprias vidas, apesar de serem soldados experimentados. Mas seu líder nunca os preparou para enfrentar os mais exigentes desafios - ele sempre cuidou sozinho das grandes tarefas. E assim, quando o maior de todos os testes surgiu, eles estavam despreparados para ajudar. Exceto um jovem, Wiglaf, que permaneceu e se apressou em lutar ao lado de seu líder. Juntos, "em parceria", diz o poeta, eles derrotaram o dragão, mas não sem que Beowulf fosse mortalmente ferido. Esse grande homem encontrou a morte porque não foi capaz de mudar quando era necessário. Nada garantia que o que funcionou em sua juventude funcionaria em seus últimos anos. Mas ele era orgulhoso. E tinha hábitos que o fizeram agir de uma maneira quando outra era a mais apropriada. O antigo filósofo Cícero recomendara, muito antes, que devemos estar preparados, à medida que passam os anos, a nos adaptar a novas maneiras de agir no mundo e a ensinar a outros, com parcerias - mediante as quais podemos deixar nossa marca mesmo numa idade avançada. Isso deveria servir de aviso para todos nós. O que funcionou no passado nem sempre se revelará a melhor estratégia no futuro. Não podemos deixar que nossos hábitos e orgulho impeçam a abertura e a mudança. Precisamos de fato do autoconhecimento para evitar nos tornar nossos piores inimigos em tempos de mudança. A lição final de Beowulf é que nenhum de nós pode fazer as coisas mais importantes sozinho. A parceria, a colaboração e a aliança são as chaves para enfrentar os mais assustadores desafios com os quais defrontamos. E o futuro dos negócios requererá isso mais do que nunca. Existe muita sabedoria para o futuro dos negócios nas obras dos grandes filósofos, sabedoria a que precisamos prestar atenção e incorporar, se quisermos que o futuro seja o melhor possível. O professor de filosofia da Universidade de Notre-Dame, TOM MORRIS, é um dos mais populares escritores americanos de negócios dos últimos tempos. Seus livros e palestras ensinam homens e mulheres de negócios a usar a sabedoria de filósofos como Sócrates e Aristóteles para enfrentar os desafios de hoje. Ph.D. em filosofia e estudos religiosos pela Universidade de Yale, o professor Morris é conhecido por seu comportamento pouco usual. Não esperem um acadêmico sisudo e cheirando a mofo. Você vai vê-lo mais facilmente num show de rock, tocando sua guitarra, e em programas de televisão da rede NBC, divulgando filosofia antiga. Foto: Ted Thai/Time Pix |
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